segunda-feira, 16 de março de 2009

O amor;

Veja bem, meu bem, a felicidade em meus olhos, a alegria em meu rosto, e o sol no meu sorriso, hoje, aqui, dentro de mim, reside a vida, na sua forma mais pura, como ela deveria ser, cheia de som e fúria, cheia de cor e luz; vive-se aqui de fato, após tanto tempo e tanta luta, após tanto medo, enfim: a vida, finalmente o desejo de estar no mundo, finalmente o desejo de mudar o mundo, a culpa é do amor, eu sei, ele muda tudo, ele é tudo.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Aforismo romantico;

Difícil mesmo é acreditar que havia vida no meu planeta antes da sua existência, apesar de tudo o amor existe, fato, e ele está em todas as coisas, nas menores possíveis; se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Ensaio para uma despedida ou algo sobre dizer adeus;

Meu talento para despedidas é diminuto, não sei ir embora, as vezes penso que há de ser esse o motivo de tanto sofrimento ao longo da vida, as pessoas simplismente vão embora, elas sempre vão, isso porque eu nunca vou , não sei deixar, sou deixada sempre, quase sempre de maneira inesperada, e isso dói, sou aquela garota ruiva de Clarice em eterno desencontro com seu Basset, sua outra metade no mundo, que sempre vai embora, como tudo é ciclo, (e este não foi quebrado até hoje), eu tenho medo , medo de que você saia numa manhã azul pra comprar cigarros e não volte nunca mais, de que um dia desses você acorde, arrume as malas, e se retire da minha vida, com ou sem despedidas, não quero que isso aconteça, não posso te perder para tal fatalismo mediocre, somos maiores que isso, você e eu, somos um, fique mais, porque não sei dizer tchau.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Eu acredito na vida como presente, nas pessoas como seres bons, a fé me escapa as vezes, mas na verdade eu acredito, e gosto disso, o vaivem da vida é infinito, assim como as possibilidades, o tudo e o nada ao mesmo tempo sempre, aquela vontade incessante de escrever e contar histórias, fazer planos e mais planos, criar cada dia mais, quase sempre pra sustentar o peso desta alma leve que possuo, quero mesmo é ser livre, tenho medo de odiar, nunca soube desaprovar nem recusar, eu sou da tribo do abraço, afagos na alma, há de se perseguir os sonhos e ser humilde com as vitórias, é preciso dar vazão aos sentimentos, é preciso respeitar o tempo, acima de tudo há de se amar a vida, e tudo que ela envolve, mesmo o sofrimento tem serventia, a existência, como coisa única, incomparável, pare um pouco e perceba as maravilhas em você, ao seu redor, bom mesmo é estar vivo, a vida apenas, sem mistificação.

Curtinho;

Juliana se apaixonou por Mauro cedo demais, aos 17 anos não pensava em outra coisa, não respirava outros ares, nem experimentava outros sabores, a ideia do infinito pesava sobre sua cabeça, linda, plausível, era realmente um prazer fazer planos, realizar sonhos, Mauro era assim como um par perfeito, não havia no mundo dois amantes como eles, a sua historia seria contada no futuro para explicar as pessoas como o amor pode dar certo, como dois seres humanos podem se completar por inteiro, Juliana tinha 17 anos, o mundo nas mãos, e sabia disso.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Pouca metafísica;

Escrever um pouco para matar o tempo. escrever sobre sonhos, o ballet da utopia nunca para, escrever verdades, escrever medos, numa tentativa frustrada de acabar com eles, palavras são armas, nem sempre brancas, todo discurso tem seu valor, por mais que o dono dele não tenha valor algum, contradições caem bem em prosa, odeio discutir, possuo aquilo que se chama preguiça, dotada de fraco poder de argumentação, é a vida, escrevo porque sim, mesmo quanto tudo está tão bem que não tenho sequer o que dizer, (como agora), porque as palavras só parecem fluir nas horas difíceis, nas horas doídas, quando é preciso me defender ou me esquivar, os dias tem dispensado as palavras, silêncio...este sim toma conta do meu mundo, já que tudo que eu quero, tudo que eu preciso, está em meus braços, ao alcance das mãos, o verbo é desnecessário, ele pode estragar a vida.

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Diálogo do ano que termina:


Aquela história de 'eu e eu mesma', debatendo o bom e velho clima de fim de ano

- Tá ouvindo?
- O quê?
- A música que vem lá de baixo, da loja de brinquedos.
- E precisa?
- Falei pra incomodar, sei que não te agrada essa história de jingle bell.
- Não é bem isso.
- É o que então?
- ...
- Fala!
- Só acho final de ano uma coisa muito hipócrita, falsa mesmo.
- Mas adora comer as bolachinhas de melado!
- Só se forem cobertas com glacê!
- E no mais?
- No mais todo mundo vive de um jeito que não existe. Com aquelas mensagens de amor e paz e blá blá blá na tevê. Ou tu acha mesmo que “hoje é um novo dia de um novo tempo que começou”?
- Ah! Mas a campanha desse ano tá bem bonita!
- É mesmo, também gostei. Só que se a gente pensar bem, é tudo utopia. A única grande mudança do ano novo é o último dígito que a gente escreve no cheque e normalmente se confunde nos primeiros dias, põe o do ano anterior, perde a folha, começa tudo de novo…
- Quase nem se preenche mais cheque hoje em dia!
- meio velha.
- E tu nem deveria ligar pra isso, eu sei que tu usa cartão.
- Mas claro que não é só o cheque! Não sei bem explicar, mas não gosto dessa coisa de que, porque é dezembro, tudo vira retrospectiva, balanço, reflexão, nem da falsa esperança de que só porque volta a aparecer janeiro na folhinha tudo vai ser diferente. Todos os sonhos, os desejos, os propósitos…
- Qual o problema em sonhar?
- O problema não é ter sonhos e planos, o problema é de uma maneira ou outra depositar isso tudo no próximo calendário. Não entendo por que não se pode desejar coisas boas assim, de hoje pra amanhã, ainda que seja junho, ainda que seja dia 27, ainda que não tenha feriado, ou ceia, ou fogos, ou mandingas
- Talvez a graça seja essa mesmo. É uma hora em que todo mundo pára e se concentra em boas coisas.
- Mesmo assim eu acho errado. Não gosto porque é fingido.
- Por quê?
- Olha isso que eu acabei de receber “amigo, agora é preciso viver o sonho e a certeza de que tudo vai mudar…” assinado, fulana de tal. Primeiro, fulana nem me conhece.
- É, formalidades de trabalho. Tu sabe como é...
- Segundo, desejar coisas boas por formalidade é patético. E depois, por que raios agora tudo vai mudar? Não vai só porque é um dia depois do outro. Não vai só porque alguém pula tantas ondas ou veste uma calcinha vermelha. Não vai!
- Acho que tu tá muito amarga e desacreditada.
- Só porque eu acho bobagem essa coisa de “ano que vem eu vou isso ou aquilo”?
- É bom ter esperanças!
- Sejamos honestas! Em seis de janeiro do ano que vem, no máximo, eu não vou nem lembrar mais de isso ou aquilo! Vou estar me lixando se teu ano vai ser próspero ou se tua noite do último vinte e quatro foi mesmo feliz.
- Amarga e descreditada.
- Eu só não sou boba.
- ...
- ...
- Tudo bem, mudemos de assunto.
- ...
- Não era esse o texto, ?
- Não, era outro.
- E tu mudou por quê? Só pra poder falar de ano novo! Tá vendo como tu dá importância pra isso?
- Isso é pra irritar, não é?
- Desculpa.
- ..
- Não falo mais em festas de fim de ano, prometo.
- Tá.
- ...
- ..
- ...
- ...
- ...
- Ei, tem papel e caneta aí?
- Tem. Por quê?
- Escreve uma coisa então! Vou ditar.
- Fala!
- Propósitos para dois mil e seis, dois pontos… tentar ser menos amarga. Pula uma linha. Acreditar mais nas coisas e nas pessoas.
- Posso pular outra linha e escrever “ser mais tolerante”?
- Bem… acho que pode. Se parece bom, sempre dá pra tentar.
**
Não liguem para como eu uso o pronome na segunda pessoa e o verbo na terceira, não é erro, é vício de linguagem. Cá entre nós, vocês têm mais o que fazer além de ficar reparando nos meus verbos e pronomes, eu sei. Como suas listas de sonhos e desejos e planos pro ano que já vem.
E sejamos felizes. Não porque eu estou desejando ou porque cantam nos jingles da televisão. Mas porque é a melhor maneira de fazer as coisas. E ponto.

(um feliz 2009 pra ocês. :D)