quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Simples verdades:


Esta é a minha escolha pela fé na vida e no ser humano, meu protesto em nome do amor, da delicadeza das palavras, dos corpos e até das almas, quero a existência mais doce e leve que o mundo pode me oferecer, quero a paz, o carinho, o entendimento, a paixão, quero tudo que vier com essa carga eletrizante de sentimentos que me move, tudo é um ciclo circular, pelo ciclo seco eu passei agora é tempo de cheia, na mente, na alma. no coração. Assim de leve, vagarosamente, a menina espera que a mesma cheia atinja os amores, amigos, as almas todas, hoje meu maior desejo é que todos os corações transbordem de tudo que melhor existe, se debrucem sobre o que é bom, sirvam-se do deleite das maiores delícias deste mundo, que nos confunde, desta vida, que nos arranca pedaços, ainda assim é bela, ainda assim é viva, se perceber vivo, despido de qualquer tristeza, mágoas infundadas ou profundas demais destroem quase tudo, dentro do quase reside a nossa melhor parte, extraia daí a força, a fé, sempre é tempo de acreditar, em si, nos outros, não se vista de pedra -ninguém é pedra, não se faça de vítima -ninguém é vítima, vivemos a Lei da Polaridade e precisamos dela, a noite nos faz reconhecer o dia, sem dor não haveria prazer, a tristeza nos ensina o valor da alegria, então para que questionar? Para que reclamar tanto? E as coisas boas? E as violetas na janela? não dê ao sofrimento mais nem menos, dê apenas o que ele merece, seja tempo, seja distância, o que levamos desta vida camarada é a vida que a gente leva, a felicidade tá embaixo do teu nariz, não vá espantá-la com um espirro.

(As pessoas sempre vão falar pois suas línguas lhe vencem os dentes e seus medos e inseguranças sempre acabam em dedos ao diferente. Então que se foda amor, que se foda se a palavra suja não rima. Que se foda amor, que se foda. Pecado é não viver a vida. -Dance of days.)

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Sem açucar:

Pare e olhe em volta, quem está do seu lado?, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, até que a morte os separe, alguém?, não?, e quem você deixou pra trás?, porque os deixou?, eles sabem?, eles sofrem?, sofreram?, você mudou?, todos mudam não é?, quantas acusações deste tipo você já fez?, do tipo: "você mudou. e está diferente comigo, não é mais a mesma pessoa", e como ela reagiu?, quantas vezes você mudou sem perceber e ninguém te avisou, ninguém teve coragem de te contar, e de repente a ausência tomou conta, não falar virou rotina, não ver, não ligar, não, a constância era negar, de repente o que antes fazia parte de ti agora nem existe, a dor da perda, o tradicional sofrimento veio, você sofreu, está sofrendo, ainda vai sofrer, por muitas horas, dias, semanas, o orgulho há de se debater numa batalha cruel com o amor, e se por um acaso ele vencer um dia você acordará e não sentirá mais, nem falta, nem vazio, um dia aquele buraco será preenchido, nunca mais será a mesma coisa, mas esse processo há de se repetir mil vezes, até que você mude novamente, ou o outro mude, e você vá embora, ou ele vá embora, assim, sem perceber, hoje você daria a vida por alguém, amanhã não resta nada, estás vazio, pronto pra próxima, precisando de outra pessoa, ninguém é insubstituível.

(com afeto.)

Nessa vida (trecho incompleto):




A vida é uma caixinha de surpresas
E quantas surpresas ela traz pra nossa vida!
E quanta vida nós ganhamos de presente
Nessa caixa de surpresa e de chegada e de saída!
Ponto de encontro e despedida
A vida é uma estrada de subidas e descidas
Essa estrada estranha que parece tão comprida
Mas que passa tão depressa com essa pressa suicida
Pressa que me apressa quando eu desço na banguela
Forte feito o Mickael do Skate na favela
Solto na ladeira eu solto o freio de mão
E ando sem as pernas porque eu tenho coração
Eu vou com o coração e com o coração eu vôo
Eu vou de coração e de coração eu dôo
o meu próprio coração e a vida que ele tem
que também foi doação, que eu recebi de alguém
- O presente valioso que é viver
Que a gente ganha e perde sem perceber
Que a gente adora e não sabe agradecer
Ou agradece e se esquece de fazer por merecer

A vida é uma carta sobre a mesa
E quantas tristezas ela obriga que eu suporte!
E quantas jogadas nós erramos realmente
Nesse jogo de azar e sorte, nascimento e morte?
(...)

(Gabriel Pensador)

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Teatro dos vampiros:

Sempre precisei de uma certa carga de atenção, tenho certeza: não sei quem sou, contudo ainda consigo delimitar o que não gosto, jovem, querendo agarrar o mundo com os braços, com as pernas, com o corpo inteiro, milhões de informações, realidade, amor, medo, ódio, e tudo vem, tudo vai, tudo se choca, tudo muda, tudo, a busca é constante, a partir de um tempo nem se sabe mais o que se busca, só se busca, a imperfeição que é geral torna cada um único e todos especiais, quando é que se cresce?, como é que se cresce?, sofrimento é a matéria mais cobrada do curriculum, e nem tempo, nem experiência nos fazem especialistas nela, também não há como escapar, no caminho você encontra espelhos, opostos, comparsas, irmãos, pra te acompanhar nessa busca, viver não é um desafio para ser vencido, o deleite é o grande segredo, a diversão é a busca, e quem está ao seu lado enquanto se procura, não se sabe bem o que, e nem se deve saber.

domingo, 19 de outubro de 2008

Azedume:

Fui dormir, dormi, acordei, e aquele gosto azedo não deixou minha boca, meu corpo, minha mente, seus medos, suas palavras, suas aparições nas piores e nas melhores horas possíveis sempre me intrigaram, não sei o que fazer, na verdade não há o que fazer, estranho mesmo toda essa nossa história, que me roubou os anos, me tirou o sono, me ensinou a ser só, tão só e tão entregue ao ponto de nem sentir mais a sua falta, é como se você estivesse, mesmo quando não está, entende?, já faz parte de mim, é uma extensão independente, pra você existir em mim não precisa mais estar ao meu lado, nem por perto, alimento-me de lembranças, alimento minhas lembranças, pra que elas não morram de nanição, nem de ódio, nem de saudade, quero minhas lembranças vivas, saudáveis, preu seguir com você, ou melhor, com o que resta de você, na minha mente, no meu corpo, na minha boca como o gosto azedo, que não vai me abandonar.


( Tira esse azedume do meu peito
E com respeito trate minha dor
Se hoje sem você eu sofro tanto
Tens no meu pranto a certeza de um amor - Los Hermanos)

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Hibernei:


Anyway, I can try
anything it's the same circle
that leads to nowhere and I'm tired now.

Anyway, I've lost my face,
My dignity, my look,
Everything is gone
And I'm tired now.

But don't be scared,
I found a good job and I go to work
every day on my old bicycle you loved.

I am pilling up some unread books under my bed
and I really think I'll never read again.

No concentration,
Just a white disorder
everywhere around me,
you know I'm so tired now.

But don't worry
I often go to dinners and parties
with some old friends who care for me,
Take me back home and stay.

Monochrome floors, monochrome walls,
Only absence near me,
Nothing but silence around me.
Monochrome flat, monochrome life,
Only absence near me,
Nothing but silence around me.

Sometimes I search an event
Or something to remind,
But I've really got nothing in mind.

Sometimes I open the windows
And listen people walking in the down streets.
There is a life out there.

But don't be scared,
I found a good job and I go to work
Every day on my old bicycle you loved.

Anyway, I can try
Anything it's the same circle
That leads to nowhere and I'm tired now.

Anyway, I've lost my face,
My dignity, my look,
Everything is gone
And I'm tired now.

But don't worry
I often go to dinners and parties
With some old friends who care for me,
Take me back home and stay.

Monochrome floors, monochrome walls,
Only absence near me,
Nothing but silence around me.

(yann tiersen)

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

2x2:




Voltando, parece que se eu olhar pra trás vou ver o mesmo rosto suado, lindo e cheio de dentes que me acompanhou naquela noite fria, todos os questionamentos banais, os sonhos indecifráveis, a vontade louca de fazer algo novo, sentir algo novo. Aquela gana por uma estória a dois completamente diferente de todas as outras que já viveu. Se é que já tinha vivido alguma.

Com o tempo, porém, as coisas ficaram mais sóbrias. Os sentimentos assumiram novas nuances. Ao mesmo tempo que a gente sente próximo, a gente sente longe. A gente nem sabia mais o que sentir, lá pelas tantas. Só ia levando. Sem notar, assim.

Hoje só resta uma lembrança apagada dos velhos dias, aqueles com mais sorrisos, mais lágrimas de felicidade, mais expectativa. Dias que traziam conforto e confiança. Não que hoje esteja tão ruim, tão longe de ser o que era. Tá bem, está mesmo muito longe de ser o que era. A gente sente saudade do que viveu, tanta saudade que é capaz até de esquecer que somos as mesmas pessoas que viveram isso há tanto (ou tão pouco) tempo atrás. O tempo traz estabilidade, sim, mas também traz medos, conhecimento demais sobre o outro, decepção, euforias contidas. Maturidade, dizem.

Ou seria imaturidade?

Gostar é gostar muitas vezes, de todas as formas possíveis. É mostrar que você pode gostar de uma pessoa depois que ela assumir a forma original, e não aquela que você imaginava que era a dela. Não encare como calúnia se as qualidades variarem com o passar dos dias, meses, anos. Leva mesmo muito tempo até a gente conhecer tudo aquilo que um dia escolheu pra si julgando ser o melhor. Escolhemos todos os dias, na verdade. Basta saber se o melhor pode mesmo ser o seu melhor pra sempre, independente das surpresas que traga, independente das mudanças que sofra. Porque gostar, desculpe decepcionar os inflexíveis aí, é ceder. Nem muito, nem pouco. O suficiente.

Apenas esse espaço suficiente para que o outro possa abrir os olhos e respirar e para que você possa colocar a cabeça no travesseiro e dormir em paz.

Um espaço maior que 2×2, onde os dois possam sorrir, e só.